Ẹkùn, em yorùbá, significa leopardo. Mas, para além da biologia, ele representa a majestade, a coroa e a realeza absoluta.
Muitos podem se questionar: “Mas Ìyá, um leopardo pode ser um òrìṣà?”. A resposta reside na nossa capacidade de expandir a consciência. Se limitarmos o òrìṣà a uma “caixinha” ou a um produto de prateleira, jamais compreenderemos que Ẹkùn, Òṣùpá (a lua) ou Ẹrìn (o elefante) portam em si a centelha do divino.
Na tradição de minha família, tudo aquilo que é passível de adoração e que carrega uma força vital da natureza é, sim, um òrìṣà.
O Instinto que não Oscila
Diferente do ser humano, cujo instinto muitas vezes vacila diante da dúvida, o instinto de Ẹkùn é constante. Precisamos dessa energia para ressaltar a nossa própria força humana. Quando unimos o Orí (a essência) do animal aos reinos mineral e vegetal, conseguimos materializar a vida de forma plena.
Ifá é o grande revelador desses reinos, e o Ìṣẹ̀ṣẹ̀ Làgbà (a tradição ancestral) mantém viva essa devoção profunda. Ẹkùn nos ensina a:
- Superar dificuldades: Encontrar força onde achamos que não existe.
- Ter Coragem e Velocidade: Agir no momento certo com precisão.
- Marcar Território: Delimitar nossos espaços e não permitir que sejamos dominados por nada nem ninguém.
O Bote Fatal e a Evolução
A vida exige momentos de alerta. Há horas em que precisamos da suntuosidade do leopardo para enfrentar medos e inimigos. Que Ẹkùn nos torne incansáveis na busca pela nossa melhor evolução, garantindo que o nosso “bote” contra as adversidades seja fatal e certeiro.
Um agradecimento especial aos elégùn deste òrìṣà, que cederam à comunidade todo o axé e força durante nossa celebração. Foi intenso, majestoso e suntuoso. Obrigada, meus irmãos! Ao meu mestre, @babakingoduduwa, minha eterna gratidão por guiar nossa família incrível.
Esta é a verdade que vivemos em nossa linhagem. Que a força do leopardo nos proteja hoje e sempre.
Ẹkùn á gbé wá o! (Que o Leopardo nos sustente!)
Ìyá Fákọ̀làdé Abeni




